As escolas precisam parar de apagar as mulheres das nossas aulas de história

Isabela Paulino Assis  | 

(Crédito Isabela Paulino Assis)

(Crédito Isabela Paulino Assis)

A estudante brasileira de 17 anos Isabela Paulino escreve sobre o que ela gostaria de ter aprendido em relação às contribuições das mulheres na história.

O que os seus livros contam sobre as mulheres na história? Porque os meus me dizem muito pouco sobre elas e suas contribuições para a nossa sociedade.

Eu cresci frequentando escolas particulares no estado de São Paulo, no Brasil, onde aprendi sobre muitos homens que lideraram revoluções, fizeram descobertas científicas e mudaram o mundo. Mas posso contar nos dedos as vezes em que aprendi sobre mulheres na história nessas aulas. Gostaria de ver isso mudar. Isso não tem a ver com valorizar mais as ideias das mulheres do que as dos homens, mas sim dar o mesmo valor a ambas.

As mulheres contribuíram muito para a nossa sociedade, mas nunca aprendemos sobre elas na escola. Por exemplo, se você é brasileiro, provavelmente estudou em livros escolares sobre o Zumbi dos Palmares, o líder quilombola que se tornou líder do Quilombo dos Palmares e coordenou a resistência negra contra os colonos brancos. Mas você sabia que sua esposa, Dandara, também trabalhou para a emancipação de pessoas escravizadas? Ela lutava capoeira, cuidava da agricultura do quilombo, treinava outros quilombolas para lutar e foi uma força de resistência contra a escravidão. Seu país provavelmente tem várias Dandaras, como o meu, que não são mencionadas em suas aulas.

É possível que você tenha estudado sobre cientistas do sexo masculino em suas aulas e, sim, eles ajudaram a avançar a ciência. Mas Graziela Maciel Barroso, uma cientista brasileira, também contribuiu muito no campo da botânica e biologia, desenvolvendo o livro de referência “Sistemática de Angiospermas do Brasil”, usado por cientistas em todo o mundo. Graziela também é considerada uma das maiores taxonomistas do Brasil, devido ao seu trabalho de identificar muitas espécies de plantas. Ela é uma ótima referência para as meninas que desejam seguir carreira na ciência.

Nossas escolas também precisam nos ensinar sobre Nísia Floresta, uma ativista feminista brasileira que lutou pela educação das meninas. Ela fundou o Colégio Augusto no Rio de Janeiro para ensinar ciências sociais, ciências naturais e matemática para meninas. Nísia é considerada uma pioneira feminista que moldou o cenário da educação em nosso país, mas muitas escolas não ensinam sobre ela.

As histórias que aprendemos passam uma mensagem para as gerações atuais sobre o que elas são capazes de alcançar. Quando as meninas aprendem sobre mulheres como elas que realizaram coisas incríveis, isso as lembra de que elas também são capazes de fazer uma grande diferença e que suas vozes merecem ser ouvidas.
— Isabela Paulino Assis

Eu poderia passar dias escrevendo sobre as muitas outras mulheres que merecem um lugar em nossos livros didáticos, mas que não o recebem. Deixar de reconhecer suas contribuições é mostrar uma versão limitada e incorreta da história. As mulheres que ajudaram a construir nossos países devem estar presentes em nossos livros didáticos para que as meninas se identifiquem com sua própria história e se vejam representadas. As histórias que aprendemos passam uma mensagem para as gerações atuais sobre o que elas são capazes de alcançar. Quando as meninas aprendem sobre mulheres como elas que realizaram coisas incríveis, isso as lembra de que elas também são capazes de fazer uma grande diferença e que suas vozes merecem ser ouvidas. Quando não me sinto capaz de fazer algo, procuro mulheres inspiradoras ao meu redor ou pesquiso algumas mulheres pioneiras. Sei que isso pode funcionar para outras meninas.

As escolas ainda precisam entender essa necessidade de dar visibilidade às mulheres que contribuíram muito para várias áreas. E se a sua escola, assim como a minha, for baseada em material de ensino de um sistema educacional credenciado, seu diretor pode não ser capaz de fazer muito para mudar os livros didáticos, mas os alunos, juntamente com diretores e professores, podem pedir aos autores de livros didáticos para incluir mais mulheres em seus materiais. Você também pode perguntar aos seus professores sobre as mulheres que estão envolvidas no assunto que vocês estão estudando, ou até mesmo pesquisar mulheres que contribuíram para a história do seu país e sugerir que seus professores as incluam em seus planos de aula. Precisamos ver mulheres em posições de poder em todos os lugares – e isso inclui nossas aulas de História.

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Isabela Paulino Assis

is a 17-year-old Brazilian student. She loves dancing and writing.